Revolução

25 de jan. de 2015

O céu e a terra já estão no mesmo lugar 
Aqui, um lugar belo para passar
Um dia para sentarmos e... olhar 
Minha alma pede para que você fique 

Venha até mim, sente 
Olhando seus olhos, me desculpe
Já estamos distantes, 
Estou correndo para longe,
Tão longe que não sei onde chegar. 
Voltaremos um dia a conversar. 

Queria minha despedida, 
Mas não consigo, não quero terminar 

Acho q recomeçou, tudo antigo 
Tudo imutável, mas novo 


Velejar

14 de jan. de 2015

   Corri até a beirada. Minhas pegadas ficaram naquela areia. Mas tudo que ali permanecia, em algum momento, se apagava. Talvez fosse o vento, a brisa que atravessava o oceano, ou talvez fosse outras pessoas que por ali passavam. Olhei lá longe, em uma pequena aglomeração rochosa. Não estava enxergando muito bem, minha vista estava um pouco embaçada. Mas sabia que ela estava lá.
   Não sabia como chegar, não conseguiria nadar. Avistei uma canoa alguns passos ao meu lado. Corri até ela. Desta vez o próprio oceano apagava minhas pegadas. Era velha, com alguns pedaços faltando em sua beirada. Mas era o suficiente. Não iria afundar. Não iria me consumir. Enquanto minha canoa, a canoa, nadava pelo mar, no meio daquele frio que estava, ia cortando as lágrimas que a lua estava deixando. Mas não estava piorando. Acho que ajudava.
   Quando cheguei nas rochas a avistei. Do outro lado da pequena ilha. Estava com um vestido verde, bem apagado. Muito parecido com o que eu estava usando. Seu cabelos inquietos com a brisa não descansavam. Cheguei ao seu lado. Não trocamos nenhuma palavra, como de costume. Sentamos e apreciamos o oceano.
   O mundo ficava diferente. Ou era o mesmo? Não sei. Mas com ela minha dor mudava. Trocava de roupa. Talvez seja porque compartilhamos dela. Talvez. "Luna". Ela me chamou. Luna? Luna é o meu nome? Luna era o meu nome para ela. Sempre pensei que minha existência era tão inexistente quanto minha sorte, mas estava errada. Podia não ter nome. Podia não ter nome para o mundo. Para o universo. Mas para ela eu tinha. Para ela eu existia. Finalmente descobri. Eu existo. Para ela, mas era o suficiente.
   "Vivemos para recordar?", ela me perguntava. Não tenho a resposta. Queria dizer não. Vivemos o presente, e apenas. Mas sabia que estava errada. Mas não vivemos para recordar. Acho que não vivemos para algo. Não sei se vivemos. Sobrevivemos. Isso. Até me soa familiar.
   Decidi voltar para casa, ficar no meu quarto. Mirei a canoa na praia e deixei ela tomar seu rumo. Quase o destino. Quando cheguei no meu quarto, na minha cama, acordei. Não que estivesse sonhando, ou dormindo, mas acordei. Tudo voltou. Mas algo estava diferente. Eu me chamava Luna.

Luna

13 de jan. de 2015

Dê-me motivos para o sol nascer 
Quero vê-lo entre os pinheiros 
Sair do oceano, escapar 
Fugir, viajar, começar a viver 

A lua me domina 
Ela está entre os pinheiros 
Uma névoa em sua frente 
Ela também não se mostra 

Segura-me, minha querida Luna 
Estou na grama, molhado 
Minha Luna, porque choras? 
Eu estou aqui, também te seguro 

O vento congela a minha pele 
Mas não posso deixá-la no céu 
Sozinha, só com seu sentir 
Sozinha, sem poder fugir 

Minha Luna, sempre esteve aqui 
Minha Luna, talvez a manhã, 
Não irá surgir

Manhã

8 de jan. de 2015

A morte está lá fora
Será que apenas eu vejo? 
Corpos no chão, almas dispersas 
O sorriso levado aos ventos 

Apenas um segundo 
O sol se pondo 
O horizonte no mesmo lugar 
Quando vou alcançá-lo? 

A maré desceu 
A lua subiu ao trono 
Lágrimas por todo o gramado 
Ninguém colheu 

Ela aparece a todo instante 
Viva... não posso tocá-la 
Nada passou 
Meu coração ainda não bateu 

Vidros no chão, quebrados 
Todo o sangue em pedaços 
O chão molhado com o tempo 
Tudo, então, espelhado

Encontro

10 de dez. de 2014

  Começou a chover. Estávamos nós três, ou talvez eu. Estava encharcada, mas os dois não se molhavam. Fiquei com medo. Estremeci. Corri para além da colina, onde um lago dormia com a chuva. Sentei a sua beira, junto com a grama. Adorava aquele sabor, o cheiro da grama, as gotas caindo no lago, a lua refletindo. As ondas se formavam a cada pedra que eu jogava ali. Se formavam, cresciam, e depois, apenas sumiam. Eu me lembro de cada onda que surgiu, mas só. Só uma onda. 
  Meu cabelo juntava-se a meus ombros, e então gotas passavam em meu rosto. Não sei o motivo, acabei me acostumando. As lágrimas juntavam-se ao orvalho, já não dava para saber de quem era a tristeza. Minha ou do mundo. Arranquei algumas gramas do chão, fiz uma pequena cova, e enterrei minhas lágrimas ali. Mas o orvalho não sumiu do gramado. Será que os dois já se molharam? Não sei se vão me aceitar... não sei se quero. 
  A lua já estava tocando o lago quando aconteceu. Não me pergunte o tempo, por favor. Ondas surgiram lá, perto do meio do lago, e eu a vi. Eu mesma, perto da lua, sem lágrimas no rosto, sem o meu cabelo molhado, me convidando. Não hesitei. Mergulhei no lago mesmo ainda estando sentada. Era estranho ali, não sei se estava sonhando, mas me senti em casa. Respirava em baixo da água, e pude andar no fundo do lago. Olhei para a lua, ela parecia mais bonita daqui. Conseguia vê-la por dentro. Ela nunca esteve fora da água. As algas aqui não choram como a grama. Mas senti o mesmo peso nelas. Andei em meio as algas, o escuro misturado com o azul resplandecente da lua deixava-se vislumbrar em meus olhos. Quando achei um local um pouco mais aberto, fiquei imóvel. Sentei, deitei, meus cabelos cobriam meu rosto, ali adormeci. Acordei muito depois, a lua ainda estava lá. Ali, dentro da água, também não me achei. No chão se encontravam algumas pedras brancas, as algas se soltavam e flutuavam, quase como livres. Sumiam na escuridão. 
  Era aquele o meu mundo? Solitário e agitado, frio e quente, mas meu. A superfície voltou a ficar trêmula. O céu voltara a chorar. Não queria abandonar aquele local, estar molhada ali não fazia diferença. Mas precisava sair, tinha que ver como os dois estavam. Sabia que eles não gostariam daqui, mas se molhassem... espero que não aconteça. Voltei pelo mesmo caminho. Ali estava eu novamente, sentada a beira do lago. Lágrimas em punho. O cheiro melancólico da grama voltou aos meus sentidos. Subi a colina e voltei para os dois. Não tinham se molhado. Não me entendiam. Não os culpava por isso. Ainda conversavam sobre o mesmo assunto que eu não entendia. 
  Depois, aprendi a voltar para o lago. Sempre que o fazia conseguia entrar em meu próprio nada. Mas sempre me obrigava a voltar. Acabei aceitando que não tem como viver lá. Pelo menos não tenho certeza. Mas o lago sempre me convidava, assim como eu mesma. 

Tempo

4 de dez. de 2014

 Tudo desapegou. A morte me abandona aos poucos. Porque eu não consigo?! Diga-me! Não acharei resposta aqui.
  Ela está sentada do outro lado. Não sei qual era a cor da roupa. Seus olhos estavam me consumindo. Eu estava jogando fogo nos meus sonhos. Não importa o quanto eu queime, o final é sempre falho. Segure-me! O ar está me torturando. Mas os olhos ainda continuam a me consumir. Não sei onde estou. Digo a ela? Digo? Nem eu sei o que dizer. Pegue minha alma. Venda. Ela quem sofre.
  Passei algum tempo... não, apenas passei, acho que o tempo não estava ali, olhando-a. Depois voltei a morrer com o tempo.

Perfume de Lírios

3 de dez. de 2014

Pés descalços, andando sem rumo 
A areia calejada pela brisa descansa
A lua brilha azul no horizonte
Brisa fria... Lírios, não por fora, não fora

Conchas por todo caminho trilhado
Um som ao fundo indecifrável 
Socorro, ajuda, dor, não sei 
Oceano furioso com sua paz 

Rotineiramente as águas alcançam
Tocam meu pé e fogem, voltam 
O momento do toque, fantástico 
A falta, o Oceano tenta cobrir 

A brisa contínua não deixa esquecer
Meus pés ainda estão molhados 
A água não dá tempo para secar
Mas o Oceano não conhece tempo

Já não sinto o caminhar pela areia
As rochas no fim não alcanço 
Paro, sento, fico assistindo 
A lua beija o Oceano, lágrimas escorrem

As lágrimas espalham-se pelo mar
Deixam um rastro até sua dona 
O Oceano as apara, não as deixa afundar
A brisa as afasta, a maré as trás 

Sentado vejo a dor da lua 
Vejo minha senhorita no oceano 
Como um anjo... talvez 
Vejo o Oceano a segurando

Enxergo a dor do Oceano
Calmo para todos 
Apoio para a lua 
Lar de minha dama

Extinguiu-se toda vitalidade de nós 
O sofrimento aumenta no luar
A lua mostra seu brilho 
Minha senhorita confunde-se com as lágrimas