Vista

21 de out. de 2014

A muralha está sendo construída
O rio não entrará 
Aqui poderemos perecer

Não aguento ver mais a alegria?
Invejoso... acabe tudo
Nunca foi vivo

Fale-me sobre a vida
Fale-me sobre dor
Fale-me, eu só escuto

Estou perdido em minhas memórias
Memórias de todo meu futuro
Ceifam toda a alma que resta

Já cortei, ponto. Final? 
Você está longe,
Eu estou enlouquecendo.

Meu corpo já não me aguenta.
Cade você? Lá longe 
Fique, não mude

Isso é só a história
Não a mude 
Mas não a conte

O Sepulcro da Flor

16 de out. de 2014

Todos caminham, sem conversa
A cova está cada vez mais próxima
Logo, livre... Quem está feliz?

A gota desce no rosto da menina,
Não é uma lágrima,
É apenas o orvalho,
Já aconteceu.

Olhem aquele menino!
O que faz em tal mortório?
Ele chora pela Flor.

"Ingênuo... não assistiu ao jornal"
As estrelas em seus olhos
Mostram o nada dentro

O menino, ele não é protagonista.
Mas então, quem... "Silêncio!"
Começaram a rezar 

Todos esperavam,
O renascimento da Flor.

O garoto foi expulso,
"Não deixava o nascer"

Revoada

O bando passa por cima
Todos no mesmo sentido
Sem ninguém para trás 

Somos ninguém... 
Se o bando voltasse,
Não entraria nele. 

Desordem, caos 
Você é o próprio monstro? 
Os anjos temem ao seu redor.

Já quebrou a sua asa,
E vai deixar o bando carregar?
Inútil

Olhe para trás!
Não há nada.
O que esperar da primavera?

Que letra é essa? 
O mundo só seu
Não era pra ser assim

E como era? 
Não foi, nem será
Azar da asa quebrada

Deixe-o para trás
O alpiste acabou, 
O pássaro morreu.

Obliterach

9 de out. de 2014

Pântanos passam, o gotejo à liberdade
Transfigura-se a lua, por entre as nuvens pálidas,
O desespero despejado cobre a lágrima
Desce ela, pela luz, abraçado ao seu nada

Minha tristeza de bom grado... vazio inerte
Menina, aquele sangue é seu, tire-o da escada
O orvalho escorre nos lábios, vós enxergardes 
Grilhões no oceano param a nossa maré

Amanhecer está fora, mas névoa adentro
Vós com medo de nadar? Fá-lo-ia se soubesse
O chão de folhas já não nos aguenta mais
E somos cobertos com nossa própria brisa

A maré... vós obliterardes, eu oblitero
Alcançaria meu fim, a mata ou minha areia
Mas estou farto de tentar nadar, se o fiz...
Até o chamado das sereias, ficarei na água.

Navegantes

4 de out. de 2014

Sentado nas rochas caídas
Vejo o poente fechar descontínuo
Do sangue vermelho no fundo 
Ao preto, ofuscaste a vida

Olho o velejar pelo mar
Ao encontro do horizonte 
Para frente, tudo já se passou 
Está liberto ou preso? 

Preso pela maré, 
Aceitou o gosto da água. 
Marinheiro sem bússola.

Serena, ela espera no poente
Dar calor ao frio estridente 
Sobre os Sete, nunca ausente.