A Maré

4 de jul. de 2014

As marés já sucumbiram
O Oceano não nos espera
Mas enfim, não há pressa

Invadimos a brisa,
A procura chega ao fim.
Não ache a tempestade

Rochas desmoronam na encosta 
Posso ver sua queda.
A água não está parada. 

Espelho de tudo,
Por isso não compreendo.
Não é apenas eu.

Selva de Almas

Graveto por graveto
Está escuro aqui...
Enfim, não sabemos de nada.

O uivo ecoa longe
A dor é ressoada entre nós.
Vemos o que é nosso.

E se eu for?
Dois copos de vinho,
Algumas conversas 

Pare de rasgar meu peito,
Pare de atear fogo. 
Chega desta porra de hipocrisia. 

Alguém, abençoe o desalmado. 
Já estamos aqui, sentados... 
Lá fora, floresta.
Aqui, uma lareira e você.

Glória! Ele está falando
Não passa de outro lobo.
Juntar-me-ei a alcateia

Grite, seu sangue não existe mais.
Você consegue me ver? 
Por favor, olhe-me.

Olhemos, então
Nunca estivemos sozinhos
Meus demônios estão aqui. 

Obedeça, menino
Tudo acabará
Finalmente? 

Não sabe o que tu queres?
Continuaremos no limbo?
É uma droga!

Estávamos corretos...
A vida é poesia,
Poesia que expira 

Meu Nada

Te amo tanto
Então, lutemos?
Ainda há maneiras para respirar. 

Moamos a dor,
Ódio, para continuarmos
Tudo para alcançarmos o fim
Assim, eu e você

Não esqueças, após amanhã
Teremos o nosso esquecimento
O dia vai fechar

És minha alma afinal

Adega

Aqui estamos
Vinho quente, empunhados
O tempo distante
Nós, enfim, conquistados

Libertem a alma! 
Ela está aqui para escutar
Respire, tome tempo
Pegue seu ar

O dia que todos partirão,
Compartilhar, da vida,
A única coisa real

A porta está aberta,
Eu não vejo você...
Você já me viu?

Então, mostremos...
O paraíso, aos anjos
O inferno, aos demônios
Eu, a você

Vale do Perdidos

Cacos frágeis sangram no chão
Os espinhos, a mão já não furam mais
Já morremos por muito tempo
Chega de segurar esta rosa

Quero ser curado,
Não me deixe afogar,
Tire-me do meu vício.

Você já deixou o último suspiro,
Agora é meu turno.
Não ache motivos para a adaga,
Eles não existem.

Está ouvindo?
As lágrimas das Sereias...
Não... não escute o nada
Apenas o afaste.

Estamos aqui,
No Vale dos Perdidos
Sexta... sexta, sexta
Pela sexta vez entraremos nele.

Roteiro

Já aviso
A Moça vai morrer no final
Os corações... um arraso
O Jovem, vai ficar mal

Estamos todos avisados
Queira bom homem
Escutar os avisos

Queira boa dama
Escutar o bom homem

De Chá nunca mais
Até o crepúsculo...

Tênue momento alaranjado
Árvore a frente,
Chá enfim, inalterado

No final, sempre no final...
Retenha toda a escuridão.

Começamos novamente,
No inexplicável.
Acharemos todos os perdidos.

Casa dos Vivos

Borbulha sangue em nosso pensamento
Venta, afastando os campos que procuramos
É isto triste?

Pare de murmúrios em meu ser,
Buscamos a cura para a alma.

Vestimos a roupa, novamente. 
Lá vem o alfaiate da morte,
Para cortá-la.

Estamos fora do tempo...
E já estivemos nele?

Como um vagante,
Corre para achar uma cova,
Para descansar.

Ache um lugar úmido,
Velho, com gramas em sua janela.
Assista quando a noite queimar,
Elas murcharem. 

Realmente, não é mais novidade.
Lá vai o defunto viver...
Pior é viver como defunto.