Vitalidade II: Sobre a Escada

10 de nov. de 2014

A Escadaria continua parada
O tempo não importa para ela
Ela, a menina, importa

Estático em um tempo tortuoso
Plano, sensato, sem vida
O sangue já faz parte dela

Deixem a menina na escada
Não cuspa seus desejos sobre ela
Não desmorone seu mundo,
Ele não é único.

A pequena saiu da escada
Foi até a floresta
Ficou lá um bom tempo
Ela não o contou

Mas o Natal chegou lá também
Não dava para acreditar
Obrigam a escada a permanecer

“Deixe a menina sentada ali
Ela vai esquecer que é uma escada”
Era uma escada, realmente
Mas só nunca foi real 

Meu Gato, para falar de amor

7 de nov. de 2014

Não quero poesia.
Só quero lembrar do meu gato.
Não procurem versos e palavras
Apenas pensem nele... então vamos

Costumava usar essa droga
Mas meu gato me fez parar.
Meu pequeno gato preto...
Sacrificou-se por mim.

Nos dias de chuva
Ele está aqui.
Mas não para de chover, senhor.
Meu gato perdia outra vida.

Estava na praia, em dezembro.
Algo que desconheço me afogou.
Mas ele também lá estava,
E foi com o Oceano.

Meu gato perdeu as Sete
Depois de três dias,
Ele não voltou.
Seu gato não existe! - a menina nadando

O gato... meu gato
Ensinou-me a não implorar
Mas sinto sua falta,
Não falo a língua dos homens. 

Vista

21 de out. de 2014

A muralha está sendo construída
O rio não entrará 
Aqui poderemos perecer

Não aguento ver mais a alegria?
Invejoso... acabe tudo
Nunca foi vivo

Fale-me sobre a vida
Fale-me sobre dor
Fale-me, eu só escuto

Estou perdido em minhas memórias
Memórias de todo meu futuro
Ceifam toda a alma que resta

Já cortei, ponto. Final? 
Você está longe,
Eu estou enlouquecendo.

Meu corpo já não me aguenta.
Cade você? Lá longe 
Fique, não mude

Isso é só a história
Não a mude 
Mas não a conte

O Sepulcro da Flor

16 de out. de 2014

Todos caminham, sem conversa
A cova está cada vez mais próxima
Logo, livre... Quem está feliz?

A gota desce no rosto da menina,
Não é uma lágrima,
É apenas o orvalho,
Já aconteceu.

Olhem aquele menino!
O que faz em tal mortório?
Ele chora pela Flor.

"Ingênuo... não assistiu ao jornal"
As estrelas em seus olhos
Mostram o nada dentro

O menino, ele não é protagonista.
Mas então, quem... "Silêncio!"
Começaram a rezar 

Todos esperavam,
O renascimento da Flor.

O garoto foi expulso,
"Não deixava o nascer"

Revoada

O bando passa por cima
Todos no mesmo sentido
Sem ninguém para trás 

Somos ninguém... 
Se o bando voltasse,
Não entraria nele. 

Desordem, caos 
Você é o próprio monstro? 
Os anjos temem ao seu redor.

Já quebrou a sua asa,
E vai deixar o bando carregar?
Inútil

Olhe para trás!
Não há nada.
O que esperar da primavera?

Que letra é essa? 
O mundo só seu
Não era pra ser assim

E como era? 
Não foi, nem será
Azar da asa quebrada

Deixe-o para trás
O alpiste acabou, 
O pássaro morreu.

Obliterach

9 de out. de 2014

Pântanos passam, o gotejo à liberdade
Transfigura-se a lua, por entre as nuvens pálidas,
O desespero despejado cobre a lágrima
Desce ela, pela luz, abraçado ao seu nada

Minha tristeza de bom grado... vazio inerte
Menina, aquele sangue é seu, tire-o da escada
O orvalho escorre nos lábios, vós enxergardes 
Grilhões no oceano param a nossa maré

Amanhecer está fora, mas névoa adentro
Vós com medo de nadar? Fá-lo-ia se soubesse
O chão de folhas já não nos aguenta mais
E somos cobertos com nossa própria brisa

A maré... vós obliterardes, eu oblitero
Alcançaria meu fim, a mata ou minha areia
Mas estou farto de tentar nadar, se o fiz...
Até o chamado das sereias, ficarei na água.

Navegantes

4 de out. de 2014

Sentado nas rochas caídas
Vejo o poente fechar descontínuo
Do sangue vermelho no fundo 
Ao preto, ofuscaste a vida

Olho o velejar pelo mar
Ao encontro do horizonte 
Para frente, tudo já se passou 
Está liberto ou preso? 

Preso pela maré, 
Aceitou o gosto da água. 
Marinheiro sem bússola.

Serena, ela espera no poente
Dar calor ao frio estridente 
Sobre os Sete, nunca ausente.