O Sepulcro da Flor

16 de out. de 2014

Todos caminham, sem conversa
A cova está cada vez mais próxima
Logo, livre... Quem está feliz?

A gota desce no rosto da menina,
Não é uma lágrima,
É apenas o orvalho,
Já aconteceu.

Olhem aquele menino!
O que faz em tal mortório?
Ele chora pela Flor.

"Ingênuo... não assistiu ao jornal"
As estrelas em seus olhos
Mostram o nada dentro

O menino, ele não é protagonista.
Mas então, quem... "Silêncio!"
Começaram a rezar 

Todos esperavam,
O renascimento da Flor.

O garoto foi expulso,
"Não deixava o nascer"

Revoada

O bando passa por cima
Todos no mesmo sentido
Sem ninguém para trás 

Somos ninguém... 
Se o bando voltasse,
Não entraria nele. 

Desordem, caos 
Você é o próprio monstro? 
Os anjos temem ao seu redor.

Já quebrou a sua asa,
E vai deixar o bando carregar?
Inútil

Olhe para trás!
Não há nada.
O que esperar da primavera?

Que letra é essa? 
O mundo só seu
Não era pra ser assim

E como era? 
Não foi, nem será
Azar da asa quebrada

Deixe-o para trás
O alpiste acabou, 
O pássaro morreu.

Obliterach

9 de out. de 2014

Pântanos passam, o gotejo à liberdade
Transfigura-se a lua, por entre as nuvens pálidas,
O desespero despejado cobre a lágrima
Desce ela, pela luz, abraçado ao seu nada

Minha tristeza de bom grado... vazio inerte
Menina, aquele sangue é seu, tire-o da escada
O orvalho escorre nos lábios, vós enxergardes 
Grilhões no oceano param a nossa maré

Amanhecer está fora, mas névoa adentro
Vós com medo de nadar? Fá-lo-ia se soubesse
O chão de folhas já não nos aguenta mais
E somos cobertos com nossa própria brisa

A maré... vós obliterardes, eu oblitero
Alcançaria meu fim, a mata ou minha areia
Mas estou farto de tentar nadar, se o fiz...
Até o chamado das sereias, ficarei na água.

Navegantes

4 de out. de 2014

Sentado nas rochas caídas
Vejo o poente fechar descontínuo
Do sangue vermelho no fundo 
Ao preto, ofuscaste a vida

Olho o velejar pelo mar
Ao encontro do horizonte 
Para frente, tudo já se passou 
Está liberto ou preso? 

Preso pela maré, 
Aceitou o gosto da água. 
Marinheiro sem bússola.

Serena, ela espera no poente
Dar calor ao frio estridente 
Sobre os Sete, nunca ausente.

Vitalidade

24 de set. de 2014

O céu lacrimeja entre as folhas
A escadaria sangra
A menina chora e... desce

A lua veio, como todo dia
O humano ficou sóbrio
E o dia virou noite

A realidade ecoa no vale.
Névoa beira as árvores.
O chalé é mais quente

Cacos no chão
Não me cortarei novamente

Ele foi embora,
Não olhou para trás, não podia.
Está errado? Desesperado ou sábio?

O sino começou a tocar
Congela os sentidos
Chá? Sem importância.

O inverno chegou após um tempo.
Todos festejam o nascimento.
Mas a menina... a menina
Ela olha a mancha na escada.

Choro de Sereia

16 de set. de 2014

Cálida, espera a brisa
Vento onírico do mar
Leva a vida, acalma-te 
Não há pressa com tempo

A dança das ondas
O inquietar das gramas 
Estamos rodeados... dancemos 
Temos até o fim da chama

Dama, vai caminhar comigo? 
Nós estamos sozinhos, sabia? 
Podemos andar na areia
Seguirmos para o horizonte 

Chegaremos no crepúsculo
Mostre-me sua vida
Eu mostro todo o fim
Parvidade, enfim, aparente

Senhorita, passe-me as chaves
Eu aceito sua vontade
As ondas já se abriram
Meu mar já fechou








Afluentes

Suas lágrimas não adiantam mais
Ele já se foi.
Por que chora agora?
Menos um peso.

Não era esse o esperado?
Não foi esse o caminho trilhado? 
Cegos em seus mundos
Acordem, a noite já chegou

O dia não faz sentido.
Pessoas acordam para mentir.
Sentido existe, seu cego

Sentido. E os soldados viram, sem questionar
Chega, já tirei minha alma.
Agora sou outro, eu mesmo, sem mim