Sussurros

11 de mar. de 2015

Sussurros


Sussurros ecoam pela encruzilhada 
A batida penetra o coração 
Ferve os nervos a cada corrida 
Seu sorriso já não faz sentido 

O tempo parou há tempos 
Nós o escondemos, sem vidros no chão 
O sangue lento corre entre os cacos 
Feridas profundas, oceanos de angústia 

Coloque-me abaixo disso 
Tire-me dessa extorsão 
Mostre seu rosto pelo menos 
Meu último sussurro, você 

Não precisamos mais de maquiagem 
Voltamos, sem cicatrizes 
Sem premonições, sem agora 
Estamos vivendo...

Escamas

7 de mar. de 2015

Escamas


Olhe para cima
Veja a lua brilhar
As estrelas tocarem sua pele
O céu te chamar

O mar tocar seus pés
O desconhecido estremecer
A onda surgir, sentir
E desaparecer

Lembro ainda de tua mão
Abrir o luar com um toque
Desconhecer a escuridão
Viajar para o horizonte

Ele está aqui por você
Vá, não olhe para trás
Esqueça seu passado
O relógio não volta

Diga-me, vou te ver novamente?
Pode contar comigo, pergunte
Não sabe onde ir, desconexo 
Eu sei, pra você, não pra mim

Ventania

6 de mar. de 2015

Ventania


Pelos montes caminha vagarosa
Ilhas de tormento levam teu sorriso
Aprisiona-se entre as dores do mundo
Pega tuas cores para extermínio 

Certamente entre as montanhas o sol nascerá
Nossas vidas ainda podem acordar
O coração talvez surgirá
A esperança aparenta perpétua, para a vida 

Andastes no campo sozinha
Como o vento, foi e sumiu,
Passa para melhorar o dia, refresca, 
Depois se perde no mundo 

A ventania passou, levou as flores
O perfume sumiu das rosas,
O brilho do sol acaba, morre
As folhas continuam

Há razão para andar nos montes?
Ver o sol se por, e se por, e se por
A lua refletir no lago, 
A lágrima cair no gramado,
O cheiro verde do molhado invadir o olfato,
A lua segurar a dor, o dia despreocupado,
Há razão? Ou aceitaremos de bom grado? 


Estrada para a Redenção

5 de mar. de 2015

Estrada para a Redenção



Diga-me, já não somos capazes

Suba aqui no céu, acompanhe
Vejas os demônios arrastarem suas correntes
Os anjos presos em seus altares

Então o animal finalmente saiu da toca
Este é o momento!
Nem futuro, eles disseram,
Nem sofrimento.

Poderia, nunca mais seria dito
Disseste o impossível
Livre do Ceifador, livre das folhas
Afogado pelo seu próprio nada

Andou sozinho pelo vale
Com todos, consigo
Anjos me ofereceram a chave
Demônios a prisão, a liberdade

É o momento!
Chegou o julgamento final,
Enfileirados, cães para o abate,
Dono cortejado. 

Já não enxergamos sofrimento,
Estamos dentro dele,
Acostumados, sustentados,
Aleluia! Aliviados. 

Siga por aquele caminho, filho
Não pise nos espinhos,
Apenas sinta o cheiro das rosas...
Corra até aquele arco-íris. 

Estou vendo o caminho,
Não leva a nenhum lugar...
As rosas do meu caminho caíram, murcharam
As folhas insistem em permanecer

Queime-as! 

Lágrimas do Céu

3 de mar. de 2015

E as portas do céu se abriram
Meu chão estava muito pesado
As paredes estavam cheias de mentiras
A chuva já não caia sobre nossas cabeças

Desceu montada em seu próprio medo
A terra já não pertence aos anjos
Mas ela se atreve a pousar
Quebrar suas asas para viver entre humanos

A dor escorre de seus olhos
Não entendem seu ser, 
Pobre anjo, tem alma

Sua âncora está solta, livre
Mas o céu a chama
Chá não apaga 




Apenas Dois Goles

20 de fev. de 2015

Apenas Dois Goles


Cicatrizes em um chão adormecido
As vinhas já não entorpecem o caminho
Gotas pela trilha bloqueiam os sentidos
A estrela no topo, apontando o destino

Pelas matas e rios andaste longe
Foi parar onde nenhum homem pisou
E para que? Ele viu? 
Apenas um verme comum 

Trouxe as amoras da colheita 
Não teve muito desta vez, 
Apenas uma dúzia, dois copos 
Mas esta está saborosa 

Eu deveria colher as minhas
Já estão apodrecendo, 
Mas surgem novamente, 
Não importa o meu solo.

Então manterei.
Assim como as vinhas que fazem meu dia
Passar para minha adega, e esperar
Esperar outro ser, outra noite, outro vinho

Deste cálice não tomarei mais
Ela aqui deslizou seus lábios
Mas quem é ela? Dramático 
Despiu-se, observou, não colocou novamente 

Meu senhor morreu, 
Cuidarei das vinhas, elas agora me pertencem 
Sim, tenho propriedade 
Não sou inútil 

Tomei mais um gole
Ela parava de chorar
Olhei nos seus olhos
Me via atrás deles

Mas era reflexo, eu não pertencia aquele lugar
Fugi, de mim mesmo, para longe
Um lugar onde eu não me encontraria
Mas ela me achou, me reencontrei

Soul Mirror

9 de fev. de 2015

Sentado no canto, sem apreciar
Dois goles, talvez seja suficiente
Esperava pela minha sentença 
O bar já estava vazio há tempos

A porta abriu 
Um vento frio junto a neve entrou
E uma moça, 
Sentou, do outro lado, e apreciou 

Não era diferente de mim
Tomou os dois goles
E ficou sentada

Nunca conversamos
Sempre chegávamos juntos
Os dois goles
E íamos embora

Acho que não poderia conhecê-la 
Estávamos prontos
Iríamos quebrar