Lágrimas do Céu

3 de mar. de 2015

E as portas do céu se abriram
Meu chão estava muito pesado
As paredes estavam cheias de mentiras
A chuva já não caia sobre nossas cabeças

Desceu montada em seu próprio medo
A terra já não pertence aos anjos
Mas ela se atreve a pousar
Quebrar suas asas para viver entre humanos

A dor escorre de seus olhos
Não entendem seu ser, 
Pobre anjo, tem alma

Sua âncora está solta, livre
Mas o céu a chama
Chá não apaga 




Apenas Dois Goles

20 de fev. de 2015

Apenas Dois Goles


Cicatrizes em um chão adormecido
As vinhas já não entorpecem o caminho
Gotas pela trilha bloqueiam os sentidos
A estrela no topo, apontando o destino

Pelas matas e rios andaste longe
Foi parar onde nenhum homem pisou
E para que? Ele viu? 
Apenas um verme comum 

Trouxe as amoras da colheita 
Não teve muito desta vez, 
Apenas uma dúzia, dois copos 
Mas esta está saborosa 

Eu deveria colher as minhas
Já estão apodrecendo, 
Mas surgem novamente, 
Não importa o meu solo.

Então manterei.
Assim como as vinhas que fazem meu dia
Passar para minha adega, e esperar
Esperar outro ser, outra noite, outro vinho

Deste cálice não tomarei mais
Ela aqui deslizou seus lábios
Mas quem é ela? Dramático 
Despiu-se, observou, não colocou novamente 

Meu senhor morreu, 
Cuidarei das vinhas, elas agora me pertencem 
Sim, tenho propriedade 
Não sou inútil 

Tomei mais um gole
Ela parava de chorar
Olhei nos seus olhos
Me via atrás deles

Mas era reflexo, eu não pertencia aquele lugar
Fugi, de mim mesmo, para longe
Um lugar onde eu não me encontraria
Mas ela me achou, me reencontrei

Soul Mirror

9 de fev. de 2015

Sentado no canto, sem apreciar
Dois goles, talvez seja suficiente
Esperava pela minha sentença 
O bar já estava vazio há tempos

A porta abriu 
Um vento frio junto a neve entrou
E uma moça, 
Sentou, do outro lado, e apreciou 

Não era diferente de mim
Tomou os dois goles
E ficou sentada

Nunca conversamos
Sempre chegávamos juntos
Os dois goles
E íamos embora

Acho que não poderia conhecê-la 
Estávamos prontos
Iríamos quebrar

Revolução

25 de jan. de 2015

O céu e a terra já estão no mesmo lugar 
Aqui, um lugar belo para passar
Um dia para sentarmos e... olhar 
Minha alma pede para que você fique 

Venha até mim, sente 
Olhando seus olhos, me desculpe
Já estamos distantes, 
Estou correndo para longe,
Tão longe que não sei onde chegar. 
Voltaremos um dia a conversar. 

Queria minha despedida, 
Mas não consigo, não quero terminar 

Acho q recomeçou, tudo antigo 
Tudo imutável, mas novo 


Velejar

14 de jan. de 2015

   Corri até a beirada. Minhas pegadas ficaram naquela areia. Mas tudo que ali permanecia, em algum momento, se apagava. Talvez fosse o vento, a brisa que atravessava o oceano, ou talvez fosse outras pessoas que por ali passavam. Olhei lá longe, em uma pequena aglomeração rochosa. Não estava enxergando muito bem, minha vista estava um pouco embaçada. Mas sabia que ela estava lá.
   Não sabia como chegar, não conseguiria nadar. Avistei uma canoa alguns passos ao meu lado. Corri até ela. Desta vez o próprio oceano apagava minhas pegadas. Era velha, com alguns pedaços faltando em sua beirada. Mas era o suficiente. Não iria afundar. Não iria me consumir. Enquanto minha canoa, a canoa, nadava pelo mar, no meio daquele frio que estava, ia cortando as lágrimas que a lua estava deixando. Mas não estava piorando. Acho que ajudava.
   Quando cheguei nas rochas a avistei. Do outro lado da pequena ilha. Estava com um vestido verde, bem apagado. Muito parecido com o que eu estava usando. Seu cabelos inquietos com a brisa não descansavam. Cheguei ao seu lado. Não trocamos nenhuma palavra, como de costume. Sentamos e apreciamos o oceano.
   O mundo ficava diferente. Ou era o mesmo? Não sei. Mas com ela minha dor mudava. Trocava de roupa. Talvez seja porque compartilhamos dela. Talvez. "Luna". Ela me chamou. Luna? Luna é o meu nome? Luna era o meu nome para ela. Sempre pensei que minha existência era tão inexistente quanto minha sorte, mas estava errada. Podia não ter nome. Podia não ter nome para o mundo. Para o universo. Mas para ela eu tinha. Para ela eu existia. Finalmente descobri. Eu existo. Para ela, mas era o suficiente.
   "Vivemos para recordar?", ela me perguntava. Não tenho a resposta. Queria dizer não. Vivemos o presente, e apenas. Mas sabia que estava errada. Mas não vivemos para recordar. Acho que não vivemos para algo. Não sei se vivemos. Sobrevivemos. Isso. Até me soa familiar.
   Decidi voltar para casa, ficar no meu quarto. Mirei a canoa na praia e deixei ela tomar seu rumo. Quase o destino. Quando cheguei no meu quarto, na minha cama, acordei. Não que estivesse sonhando, ou dormindo, mas acordei. Tudo voltou. Mas algo estava diferente. Eu me chamava Luna.

Luna

13 de jan. de 2015

Dê-me motivos para o sol nascer 
Quero vê-lo entre os pinheiros 
Sair do oceano, escapar 
Fugir, viajar, começar a viver 

A lua me domina 
Ela está entre os pinheiros 
Uma névoa em sua frente 
Ela também não se mostra 

Segura-me, minha querida Luna 
Estou na grama, molhado 
Minha Luna, porque choras? 
Eu estou aqui, também te seguro 

O vento congela a minha pele 
Mas não posso deixá-la no céu 
Sozinha, só com seu sentir 
Sozinha, sem poder fugir 

Minha Luna, sempre esteve aqui 
Minha Luna, talvez a manhã, 
Não irá surgir

Manhã

8 de jan. de 2015

A morte está lá fora
Será que apenas eu vejo? 
Corpos no chão, almas dispersas 
O sorriso levado aos ventos 

Apenas um segundo 
O sol se pondo 
O horizonte no mesmo lugar 
Quando vou alcançá-lo? 

A maré desceu 
A lua subiu ao trono 
Lágrimas por todo o gramado 
Ninguém colheu 

Ela aparece a todo instante 
Viva... não posso tocá-la 
Nada passou 
Meu coração ainda não bateu 

Vidros no chão, quebrados 
Todo o sangue em pedaços 
O chão molhado com o tempo 
Tudo, então, espelhado